13.2.09

Felipe Neto dizia...

"Vai Chegando o Carnaval...

Há quatro e cinco anos, no auge de minha adolescência, a palavra carnaval era interpretada por minha mente como “o momento mágico, o nirvana da vida”. Axé, abadá, acarajé, cantina da serra, peitos, bundas, bocas, vômitos, gritos, mais bocas, mais bundas e mais vômito.
Ah, era tudo que eu podia querer. A perdição completa de um jovem torto. A rebeldia social e a explosão de hormônios sexuais e infantilóides.
Mas o tempo passou. E com ele, uma certa maturidade foi aflorando.
Olho hoje para aquele grupo de arruaceiros e pergunto-me como posso já ter gostado de estar ali presente. Ou pior, como podem pessoas que já passaram da idade da molecagem, esbaldarem-se como se fossem guiados por seus instintos de dezesseis anos.
Pra começar, uma analogia aplicada a 95% dos casos: o tamanho dos bíceps de um indivíduo é inversamente proporcional a sua capacidade intelectual. Quanto mais inchado, mais demente.
Não satisfeitos em passar uma imagem de ignorância e mongolice, esse tipo de cidadão ainda precisa gritar ao mundo que seus bíceps são grandes. Então, mesmo chovendo e com frio, ele tira a camisa e enrola no punho, em uma clara manifestação boçal de que, além de forte, ele é perigoso.
Não preciso dizer que existem mulheres, tão tapadas quanto, que baseadas em sua máxima insegurança e desejo de parecer mais do que realmente são para a sociedade, atracam-se com este tipo de laia. Merecem-se, logicamente. Dois tipos que necessitam de anos de terapia.
Mas tudo bem, você ignora os zé bostolas e suas piriguetis e cai na “folia”. E é nesse momento que você descobre a necessidade de tomar 3 litros de cantina da serra em meia hora.
A música é praticamente um conjunto de onomatopéias.

“MÃE BÊ MÃE BÊ MÃE BÁ, MÃE BÊ MÃE BÊ MÃE BÁ, MÃE BÊ MÃE BÊ MÃE BÁ”
“ZUM ZUM ZUM… ZUM ZUM BABA, ZUM ZUM BABA, ZUM ZUM BABA”
“CHIIIIIIIIIIIIIICLEEEEEETE! OBA, OBA!”
“O, o, o, ooo, que terrô! O, o, o, ooo, na dança do vampirô!”

Você olha para os lados e percebe que os zé bostolas invadiram o ambiente e estão pulando de um lado para o outro, te arrastando, aquele suor pegajoso que mais parece uma manteiga raspando no seu braço e costas. A multidão toma conta de tudo, você não tem como fugir, o jeito é pular e fingir que aquela música faz algum sentido.
Pula, gira, grita, solta grunhidos (afinal não tem como CANTAR esse tipo de música), pega uma mulherzinha aqui, outra ali, mas continua pulando, girando, gritando e soltando grunhidos.
Calor, suor, fedor, música ruim, multidão te empurrando, claustrofobia, bebidas nojentas, mulheres perdidas e vazias, e eles, sempre eles, os zé bostolas, que dentro de vinte minutos cairão na porrada graças a um pisão no pé.
Afinal, vamos combinar, dentro de toda essa explosão de movimentos e pessoas se encostando, pisar no pé de um zé bostola é proibido! Ele morde, santa."

Roubei esse texto daqui e, apesar de nunca ter tido uma fase em que "Axé, abadá, acarajé, cantina da serra, peitos, bundas, bocas, vômitos, gritos" parecesse legal pra mim, achei mais ou menos o sentimento que eu tive ao passar o carnaval do ano passado no RJ. Poderia tecer comentários maldosos e longos sobre esse pessoal com a juventude tardia que ainda se diverte nesse tipo de manifestação imbecilóide mas não, deixo aqui as palavras desse tal Felipe Neto, e espero que essa maravilhosa manifestação cultural (oi?) permaneça por muitos e muitos anos, preu olhar isso de cima, com o nariz empinado, super me sentindo superior, e para que isso renda assunto no meu blog. Tá parado, mas vai voltar.

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